29 de out de 2008

Hermano experimental

Marcelo Camelo - Sou.

Sou extremamente suspeito em falar de Los Hermanos.

No meu 2ºano, eu fazia digestão ouvindo os barbudos. Aprendi a ouvir, gostei depois virei tiete.

Ai acabou, bateu desespero, mas achei bom. Foda é o Fabio Jr. que tem 6 CDS, 5 coletâneas.

Então escuto, "Camelo ta fazendo um CD". Bacana, mas deu medo. Acho que o interessante da banda foi o que eles criaram com todo o conhecimento musical deles reunidos, porque dá para escutar, "Samba a dois" e depois "Pierrot" e saber que aquilo é Los Hermanos. Exatamente essa coisa de samba-rock, exerimental, psicodélico, Hardcore.

Escutei o "Sou" ou "nós", no início achei bom, muito mesmo, tava gostoso de ouvir. Mas acho que o Camelo se perdeu ou perdeu-se.

Na verdade ainda não sei bem certo, se ouvi o CD vezes suficiente para estar falando. Achei extremamente experimental, complexo. Camelo soltou das rédeas, inovou. E isso é bacana.

Não sou músico, mal toco minha gaita, mas sei o que escuto e achei desconfortável, de 2 a 3 músicas. "Doce Solidão" e "Mais Tarde" são músicas gostosas de se ouvir, ele faz ótimos riff's de guitarra e mostra porque o Los Hermanos tinha uma ramificação melancólica e de onde ela saia.

Marcelo Camelo para mim sempre foi bom demais, desde a primeira vez que o escutei cantando "Liberdade" no canal fechado, eu tentava acompanhar e não sabia como alguém cantava tão deprimido e de forma tão afinada.

Não dou 10 para o CD porque não sei se ele merece, mas aconselho que escutem.

Ensaio Sobre a Cegueira.

Ensaio Sobre a Cegueira: Filme

"Fernando Meirelles com José Saramago, não vai dar certo", para mim deu meu querido João Pedro.

Meirelles: "uma parábola sobre a fragilidade da civilização e a facilidade com que se derrubam valores aceitos pelas sociedades avançadas". E foi.

Assisti ao filme no cinema, não me chocou tanto, mas foi um tapa leve, não na cara, nas costas. Sempre vi a sociedade daquela forma, meio porca e necessitada. É aprofundo em um ponto, a cegueira é sexual.

Essa coisa do toque, sentir, cheirar isso é sensual e isso é meio cego. Meirelles mostrou legal e Saramago desenvolveu melhor ainda.

Ouvi críticas sobre a "incapacidade do cego". Realmente, o filme mostra um desespero, um caos, por falta da visão, mas é inadaptável, rápido demais. Não sei como ficaria se fosse comigo, mas acredito que esses paradigmas e conceitos éticos, não só meus, mas tenho certeza que de muita gente, mudaria.

Fome, preconceito, sexualidade, desespero, fácil demais falar disso tudo, mostrar isso tudo, porque está presente, mas as mãos ficam na frente dos olhos e isso não é cegueira. Criar um ensaio, que te surpreende é bem feito, para mim Meirelles mostrou legal, não colocou mais porque faltaram umas 70 páginas. Ai não seria Meirelles, seria Saramago.

O filme não merece Nobel, mas mostra que somos feitos de barro e isso de população sólida não existe. A posse acaba e a sobrevivência é a única. Talvez eu esteja sendo calculista, mas ta tudo muito sujo, para a sociedade fazer um “ohhh”, quando se troca sexo por comida. Talvez a hipocrisia seja o único motivo de achar o filme nojento e pornográfico. Acredito que sombrio e belo se encaixe melhor.

Cara nova.

Não, não abandonei meu querido açoite. Falta de tempo é desculpa esfarrapada, mas é à única. Vou tentar seguir a titulação do blog e dar leves chibatadas nas ferramentas culturais, tipo filmes, livros e afins. Pretendo receber um retorno com isso, então se alguém quiser me indicar algo, ou criar uma pracinha de Sócrates, para debater, vai ser bacana. Abraços.